A deputada estadual Letícia Aguiar virou alvo de críticas sobre racismo pela oposição, após realizar um protesto durante sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo, realizada nesta quarta-feira (18).
Durante o discurso, a parlamentar apareceu com o rosto pintado de marrom, em uma ação que, segundo ela, teria como objetivo criticar debates sobre identidade de gênero e questionar a atuação da deputada federal Erika Hilton.

Ao justificar o ato, ela afirmou que a encenação era uma forma de argumentar que pessoas trans não são mulheres, mesmo que se maquiem, o que gerou reação imediata entre colegas parlamentares e críticas nas redes sociais.
Durante a fala, a deputada iniciou dizendo que é uma mulher branca e passou a indagar que, se decidir se maquiar se passando por uma pessoa negra, ela se tornaria alguém que entende as causas dos negros. Foi neste momento que a parlamentar passou a pintar sua pele durante o discurso.
“Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra, me maquiando e deixando só o fora parecer. E aqui, eu pergunto: e agora? Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra que jamais deveria existir? Eu te pergunto, você que está me assistindo, eu me pintando de negra, sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo? Por não conseguir um trabalho, um emprego?”, afirmou
“Eu, sou negra agora? Eu estou sentindo as dores de uma mãe e teu filho que sofre tudo que sofre na rua por ser negro? Não é isso? Não é essa luta?”.
Debate político e repercussão
A deputada Ediane Maria, líder do PSOL na Alesp, fez uma representação em nome da bancada na Comissão de Ética por quebra de decoro e pedido de investigação no Ministério Público por racismo e transfobia.
“Fabiana Bolsonaro passou de todos os limites e cometeu racismo no plenário. São 137 anos da escravidão e temos que presenciar uma mulher branca, que raramente aparece no plenário, para falar a favor das mulheres, se pintando de preto para atacar a Erika Hilton.
Uma mulher branca, que coloca o sobrenome de um ex-presidente facínora, para ser racista e transfóbica em plenário. Isso é um crime em flagrante. É uma afronta à história deste país. Estamos tomando as medidas cabíveis”, afirmou nas redes sociais.
A líder da Minoria na Alesp, a deputada estadual Beth Sahão (PT) também entrou com representação no Conselho de Ética contra a deputada Fabiana Bolsonaro (PL) pelos crimes de racismo e transfobia durante fala na tribuna da Casa.
Nas redes sociais, o caso dividiu opiniões: enquanto alguns criticaram duramente a atitude, outros defenderam o direito à liberdade de expressão da parlamentar.
Caso segue repercutindo
Nas redes sociais, a deputada Fabiana Bolsonaro (PL) se pronunciou sobre o discurso.
“Muitos estão distorcendo a minha fala e o sentido do meu protesto. Isso vai além de ‘lugar de fala’: trata-se de ser, de sentir, para poder representar.
As mulheres merecem ser representadas por mulheres, os negros merecem ser representados por negros e os travestis também merecem ser representados. Um não precisa ocupar o lugar do outro. É sobre isso. Mas a esquerda prefere distorcer e atacar”.
“A analogia foi clara, só não entendeu quem não quis. Assim como eu não me torno negra só porque pintei a pele, ninguém que não nasceu mulher pode representar com legitimidade as dores biológicas, psicológicas e históricas que só as mulheres biológicas conhecem”, escreveu.
O que diz a Alesp:
Em nota, a Alesp disse que o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa é o órgão com autoridade e legitimidade para analisar casos que eventualmente excedam a imunidade parlamentar.
“A Constituição assegura que os parlamentares são invioláveis, civil e penalmente, por suas opiniões, palavras e votos, especialmente quando manifestados em Plenário. Trata-se de garantia destinada a assegurar a liberdade necessária ao pleno exercício do mandato”, afirmou.
Confira o vídeo abaixo:








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