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No Pará, crianças indígenas sem merenda escolar fazem fila para comer ‘chibé’

6 de junho de 2025
in Pará
Reading Time: 4 mins read
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No Pará, crianças indígenas sem merenda escolar fazem fila para comer ‘chibé’
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Pelo menos 15 crianças indígenas da Aldeia Restinga, localizada no município de Jacareacanga, cidade com maior proporção de indígenas do Pará, aparecem em um vídeo recebendo “chibé” (mingau preparado com farinha, água e sal) como alimento por conta da falta de merenda escolar para os estudantes do território.

O registro foi feito por moradores da comunidade, no último mês, e enviado à reportagem da CENARIUM.

Nas imagens, os alunos da aldeia estão enfileirados para receber a mistura, ofertada em uma panela por um adulto, e compartilham da mesma colher para comer.

Uma liderança do povo Munduruku, que pediu para não ser identificada por temer represálias, disse para a reportagem da CENARIUM, que os indígenas realizaram uma assembleia entre os dias 15 e 18 de maio para denunciar a situação.

“A falta de merenda acontece desde o ano passado. Isso está revoltando os pais, que também denunciam a ausência de transporte escolar. Alguns já desistiram de levar os filhos. Outros estão fazendo vaquinha para comprar combustível e garantir que as crianças estudem”, relata.

Após repercussão do caso, a liderança disse que parte da merenda escolar foi enviada para as escolas indígenas. O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça, no último dia 16 de maio, contra o município de Jacareacanga e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e exigiu o fornecimento imediato dos suprimentos alimentícios.

Situação é antiga

Segundo o MPF, o município deixou de realizar licitação para a alimentação escolar indígena desde o ano passado, mesmo recebendo normalmente os repasses federais. Em 2025, Jacareacanga recebeu mais de R$ 600 mil do FNDE para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), dos quais R$ 355 mil destinados especificamente às escolas indígenas.

A procuradora da República Thaís Medeiros da Costa, autora da ação inicial, aponta que a ausência de alimentação tem sido sistemática e afeta centenas de crianças e adolescentes do povo Munduruku.

A investigação teve origem em denúncias feitas durante o VII Encontro Pusuruduk, realizado em 2023. De lá para cá, a situação se agravou. Em depoimento registrado na ação, uma comunidade relatou que “já passou mês de fevereiro, março, abril e agora já estamos na metade do mês de maio (…) Até agora nada de merenda escolar. Quando na hora do recreio, cadê a merenda dos alunos? Os alunos estão passando fome dentro da sala de aula”, diz um dos relatos da Escola Paygo Baxewat’pu, na Aldeia Pesqueirão.

Assista:

Pelo menos 15 crianças indígenas da Aldeia Restinga, localizada no município de Jacareacanga, cidade com maior proporção de indígenas do Pará, aparecem em um vídeo recebendo “chibé” (mingau preparado com farinha, água e sal) como alimento por conta da falta de merenda escolar… pic.twitter.com/iJ6dYNQ8YU

— QB News (@qbnewsoficial) June 6, 2025
Tags: crianças indígenas sem merenda escolarParáquestiona brasil
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