O procurador-geral de Justiça do Pará, Alexandre Tourinho, afirmou que a defesa do prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, teria adotado uma estratégia jurídica para tentar atrasar o andamento das investigações que apuram suspeitas de irregularidades envolvendo contratos da prefeitura.

Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, o chefe do Ministério Público do Estado do Pará classificou como uma “manobra” a tentativa da defesa de incluir no processo a deputada federal Alessandra Haber, que é esposa do prefeito.

Segundo Tourinho, a estratégia teria como objetivo deslocar a competência do caso para o STF, já que parlamentares federais possuem foro privilegiado na Corte. Para o Ministério Público, a inclusão da parlamentar no processo não teria relação direta com as investigações e poderia provocar atraso na tramitação do caso.
Investigação sobre compra de mansão
Um dos pontos centrais das apurações envolve a compra de uma mansão de luxo avaliada em cerca de R$ 4 milhões, localizada no município de Fortim.
De acordo com o Ministério Público, o imóvel teria sido pago por meio de uma espécie de “vaquinha financeira” envolvendo cinco empresas fornecedoras da Prefeitura de Ananindeua, dos setores de material escolar e limpeza, além de quatro pessoas físicas.
A investigação aponta que essas empresas recebiam pagamentos da prefeitura e, logo depois, realizavam transferências via Pix para quitar parcelas do imóvel. Em alguns casos, os repasses teriam ocorrido no mesmo dia ou no dia seguinte ao recebimento de recursos públicos, o que levantou suspeitas de possível desvio de dinheiro.
Patrimônio sob análise
Durante as investigações, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 130 milhões em bens ligados ao prefeito. O valor chamou atenção por ser significativamente superior ao patrimônio de cerca de R$ 5 milhões declarado por Daniel Santos à Justiça Eleitoral nas eleições de 2024.
Entre os bens citados nas apurações estão:
• uma fazenda avaliada em R$ 16 milhões, adquirida em 2020;
• um jato avaliado em R$ 10,9 milhões;
• oito relógios de luxo, avaliados em aproximadamente R$ 4,1 milhões, que foram apreendidos em um apartamento ligado ao prefeito.
Caso chegou ao STF
O processo ganhou um novo capítulo em março de 2026, quando o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão temporária do inquérito para analisar alegações de nulidade apresentadas pela defesa do prefeito.
Com a manifestação enviada pelo procurador-geral Alexandre Tourinho, o Ministério Público do Pará reforça sua posição no caso e defende a continuidade das investigações. A decisão do STF deverá definir os próximos passos do processo que apura a origem dos recursos utilizados na aquisição de bens de alto valor atribuídos ao prefeito de Ananindeua.









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