O primeiro-ministro do Nepal, K.P. Sharma Oli, renunciou nesta terça-feira (9) em meio à pior onda de instabilidade política e social que o país enfrenta em décadas. A decisão ocorreu após violentos protestos anticorrupção desencadeados pela proibição de redes sociais, que já deixaram 19 mortos e mais de 100 feridos.
Na segunda-feira (8), a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter manifestantes que tentavam invadir o Parlamento. Mesmo após o governo suspender a proibição das plataformas digitais, os protestos continuaram e desafiaram o toque de recolher imposto em todo o país, levando Oli a anunciar sua saída.
“Em vista da situação adversa no país, renunciei hoje para facilitar a solução do problema e ajudar a resolvê-lo politicamente de acordo com a Constituição”, declarou o premiê de 73 anos em carta ao presidente Ramchandra Paudel. O chefe de Estado aceitou a renúncia e iniciou as consultas para a escolha de um novo primeiro-ministro.
A violência, no entanto, não ficou restrita às ruas. Em Katmandu, manifestantes incendiaram a residência do ex-primeiro-ministro Jhala Nath Khanal. Sua esposa, Rajyalaxmi Chitrakar, morreu após ser atingida pelas chamas. Ela chegou a ser levada com queimaduras graves ao Kirtipur Burn Hospital, mas não resistiu. O episódio chocou o país e reforçou a gravidade da crise.
O Exército fez um apelo público para que a população “use de moderação”, enquanto líderes políticos discutem alternativas para restaurar a ordem. Desde a abolição da monarquia em 2008, o Nepal já teve mais de uma dezena de primeiros-ministros e segue mergulhado em instabilidade política e econômica.










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