Fraudes em licitações, direcionamento de empresas vencedoras e supostos pagamentos de propina. Essas são algumas das suspeitas investigadas pela Polícia Federal envolvendo integrantes do alto escalão do Governo do Pará e pessoas próximas ao ex-governador Helder Barbalho e à atual governadora Hana Ghassan.
O caso da obra da Avenida Liberdade, inaugurada há menos de três meses no Pará e que agora apresenta afundamentos em alguns trechos, passou a ser alvo de questionamentos e ocorre em meio a investigações sobre possíveis irregularidades em contratos públicos.
A licitação foi vencida pelo Consórcio Liberdade, formado por cinco empresas, pelo valor inicial de R$ 410 milhões. Posteriormente, o contrato recebeu um aditivo superior a R$ 42 milhões. Entre as empresas integrantes do consórcio está a JAC Engenharia, que tem como sócia Andrea Costa Dantas, esposa do deputado federal Antônio Doido (MDB).

A JAC Engenharia e a J.A. Construcons Civil Ltda., que também tem Andrea como sócia, são investigadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), desde agosto de 2025, por suspeitas de irregularidades em licitações relacionadas à COP30.
Segundo a PGR, entre 2020 e 2024, o Governo do Pará empenhou mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais em favor da J.A. Construcons.
A PGR afirma que Antônio Doido e Ruy Cabral, ex-secretário de Obras, que deixou o cargo na última semana, “aparentam integrar organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública e violações em processos de licitação e contratos administrativos no Pará”, além de possíveis crimes eleitorais e infrações contra o sistema financeiro.
Embora a JAC Engenharia e a J.A. Construcons estejam formalmente registradas em nome da esposa de Antônio Doido, a PGR sustenta que ela teria sido utilizada como “pessoa interposta” para ocultar o suposto controle do deputado sobre as empresas.
A obra, que recebeu investimentos superiores a R$ 450 milhões e foi apresentada pelo governo como um dos principais marcos da mobilidade urbana da Região Metropolitana de Belém, agora passou a ser alvo de questionamentos quanto à qualidade de sua execução.
O ex-governador Helder Barbalho é publicamente um aliado próximo do deputado federal Antônio Doido e participou ativamente da campanha do parlamentar à Prefeitura de Ananindeua nas últimas eleições municipais, disputa em que foi derrotado pelo ex-prefeito Daniel Santos.

Hana Ghassan, por sua vez, integrante do mesmo grupo político de Helder Barbalho e Antônio Doido, assumiu recentemente o Governo do Estado. Apesar de ser frequentemente apresentada como uma gestora de perfil técnico, ainda não se manifestou publicamente sobre as investigações e suspeitas relacionadas a integrantes da atual e da gestão anterior.
Até o momento, nenhum dos investigados ou das pessoas citadas em razão dessas relações políticas se pronunciou publicamente sobre os fatos mencionados.
O silêncio tem gerado críticas de parte da população, que cobra esclarecimentos sobre o emprego dos recursos públicos, especialmente diante dos problemas apresentados por uma obra de alto custo poucos meses após sua inauguração.
Vídeos e fotografias registrados nesta segunda-feira pela equipe do QB News mostram o avanço do processo de erosão, com rachaduras e afundamento do terreno, situação que levou à interdição do trecho pelas autoridades por questões de segurança.






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