A Avenida Liberdade, via expressa inaugurada há menos de dois meses em Belém, precisou ser interditada neste domingo (28) após um trecho de aproximadamente 150 metros do asfalto ceder. O episódio reabre o debate sobre a qualidade da obra entregue pelo Governo do Estado e levanta questionamentos sobre o cumprimento de prazos e padrões técnicos em uma das principais promessas de mobilidade da gestão estadual.
Executada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra), sob a gestão do governador Helder Barbalho, a Avenida Liberdade custou aos cofres públicos cerca de R$ 410 milhões. A previsão inicial de entrega era outubro de 2025, antes da realização da Conferência do Clima da ONU (COP30) em Belém, mas a obra só foi concluída em 2 de abril de 2026, seis meses depois do prometido.
Menos de dois meses após a inauguração, a via já apresenta problemas estruturais graves, com cedimento de um trecho significativo do asfalto.
Em comunicado, a Seinfra informou que o problema foi identificado durante ações de monitoramento e inspeções preventivas, e que os reparos serão executados pelas empresas responsáveis pela construção, sem custo adicional ao Estado. A justificativa, no entanto, não dissipa as dúvidas sobre a qualidade da execução de uma obra que já havia recebido dinheiro público suficiente para garantir padrões técnicos adequados.
A construção da Avenida Liberdade já havia sido alvo de fortes críticas por parte de moradores e ambientalistas antes mesmo de sua conclusão. Famílias ribeirinhas que dependem da pesca e do extrativismo na região denunciaram a destruição de meios de subsistência durante as obras, reforçando o questionamento sobre os reais custos socioambientais e financeiros do empreendimento.
Com cerca de 14 quilômetros de extensão, a Avenida Liberdade conecta a Alça Viária à Avenida Perimetral, integrando Belém, Ananindeua e Marituba, e foi apresentada como solução para a mobilidade na Região Metropolitana. O cedimento do asfalto, no entanto, expõe a fragilidade de uma obra entregue com atraso e que, em poucas semanas de uso, já demanda intervenção emergencial.
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