O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad voltou a direcionar críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao comentar a recente viagem do parlamentar aos Estados Unidos. Durante entrevista na VEJA nesta segunda-feira (15), Haddad afirmou que o senador foi ao país “beijar a mão do presidente Donald Trump” e classificou a iniciativa como um “tiro no pé”.
A declaração ocorre em meio às discussões sobre a aproximação de Flávio com o governo norte-americano e após o anúncio de medidas comerciais envolvendo produtos brasileiros, tema que intensificou o embate entre governo e oposição. Haddad também criticou a postura do senador ao afirmar que a viagem não trouxe benefícios concretos para o Brasil.
Nos últimos dias, integrantes do governo federal passaram a associar a visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ao agravamento das tensões comerciais com o país. Já aliados do senador rejeitam essa relação e afirmam que ele, inclusive, defendeu que novas tarifas não fossem aplicadas sobre produtos brasileiros.
Haddad classificou a decisão americana como uma medida hostil ao Brasil e rejeitou justificativas para a adoção das tarifas. “A tarifa só pode ser entendida como uma agressão. Não tem justificativa”, afirmou.
Ao comentar a reação do governo brasileiro, o petista defendeu o papel do presidente Lula na condução das negociações internacionais e criticou a atuação de bolsonaristas contra os interesses do próprio Brasil. “O que não pode acontecer é um grupo interno do Brasil jogando contra o país”, disse.
Segundo Haddad, Lula é hoje a principal liderança capaz de dialogar diretamente com governos estrangeiros em defesa dos interesses brasileiros. “Se tem alguém que vai, é o presidente Lula. Não conheço outra pessoa que possa fazer isso”, afirmou. O ex- ministro também ressaltou a inserção internacional do Brasil sob o atual governo. “O Brasil hoje tem uma rede de países amigos que jogam articuladamente. O Brasil está em tudo, está em todas e é tratado assim. Tem tapete vermelho para entrar. Não é pária”, declarou.
As declarações de Haddad ampliam o clima de disputa política entre o governo e a oposição em um momento de intensificação das articulações para as eleições de 2026.
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