Uma dívida de cartão de crédito de R$ 12 mil virou um débito de R$ 788 mil após quatro anos e colocou o Nubank na mira da Secretaria do Consumidor do Distrito Federal.
O caso envolve um cliente do DF que acumulou débitos no cartão de crédito desde janeiro de 2022. Na época, a dívida somava R$ 12,3 mil. Com a incidência de juros e encargos financeiros, o valor cresceu cerca de 65 vezes e chegou a R$ 788 mil.

Secretaria cobra explicações do Nubank
Entre os questionamentos enviados à instituição estão as taxas aplicadas no crédito rotativo do cartão, a fórmula usada para calcular os juros e as regras de parcelamento da fatura.

O órgão também quer entender como o banco apresenta essas informações aos clientes e quais mecanismos utiliza para evitar o superendividamento.
Crédito rotativo tem uma das maiores taxas do mercado
O crédito rotativo do cartão de crédito está entre as modalidades mais caras do sistema financeiro brasileiro.
Ele entra em ação quando o cliente paga apenas parte da fatura e financia o restante da dívida. Nesse cenário, os juros passam a incidir sobre o saldo pendente.
Apesar da limitação aprovada pelo governo federal em 2024, que impede a dívida de ultrapassar o dobro do valor original, os encargos continuam elevados e podem fazer o débito crescer rapidamente ao longo dos meses.
Caso reacende debate sobre juros bancários
O secretário do Consumidor do DF, Samuel Konig, afirmou que a pasta poderá aplicar sanções caso identifique irregularidades nas cobranças.
“A dignidade do consumidor precisa estar acima de qualquer modelo de cobrança”, afirmou.
Segundo a secretaria, o Nubank recebeu 77 reclamações no órgão apenas em 2026. Em todo o ano de 2025, o banco acumulou 211 registros.
O caso reacende o debate sobre os juros do cartão de crédito no Brasil, que continuam entre os mais altos do mundo mesmo após mudanças recentes nas regras do crédito rotativo.








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