Um comunicado atribuído ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC), maior facção criminosa de Santa Catarina, circula desde o último sábado (11) em grupos de WhatsApp e redes sociais. O documento revoga uma “proibição interna” de roubos a pedestres e furtos de motos de baixa cilindrada que, segundo a facção, vigorava desde 2017. Fontes ligadas às forças de segurança de Santa Catarina confirmaram o teor da mensagem e monitoram atentamente o “salve” e suas possíveis consequências.
No comunicado, a organização afirma que a medida é uma “iniciativa” para obter contrapartidas do governo estadual. Segundo o texto, supostas “promessas” dos governos de SC não teriam sido cumpridas desde 2017, e a facção ironiza o discurso oficial de que Santa Catarina é o estado mais seguro do país.
Liberação de crimes patrimoniais
O documento declara aberta o que chama de “temporada de caça” para furtos e roubos de celulares, motocicletas, joias e alianças. A única ressalva mencionada é a manutenção da “proibição de crimes contra integrantes da própria organização e seus familiares”. Ou seja: pode roubar trabalhador, só não pode roubar família de bandido.
De acordo com estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a prática de proibir roubos contra “pessoas desfavorecidas”, como pedestres, trabalhadores e motoristas de aplicativo, é uma estratégia documentada do PGC para se legitimar nas comunidades e reduzir a atenção das forças de segurança. Todavia, agora os líderes optaram por seguir por outro caminho.
Reação ao avanço das forças de segurança
O comunicado é avaliado por fontes da área de segurança como uma resposta direta ao endurecimento das ações policiais contra o crime organizado em Santa Catarina. A Polícia Militar de Santa Catarina tem intensificado operações e neutralizado diversos criminosos armados em confrontos pelo estado, o que tem enfraquecido a capacidade operacional da facção nas ruas.
Paralelamente, a Polícia Civil tem avançado com grandes operações de inteligência contra a estrutura do PGC. No último dia 8 de abril, a Delegacia de Investigações Criminais de Balneário Camboriú deflagrou a Operação Dominó 2, com o cumprimento de 27 ordens judiciais e a prisão de 7 lideranças da facção na região do Litoral Norte.
No sistema prisional, a Polícia Penal tem fechado o cerco contra a entrada de celulares e drogas nas unidades do estado, dificultando a comunicação entre lideranças presas e integrantes em liberdade, canal essencial para a organização de atividades criminosas.
Segundo informações dos bastidores da segurança pública, a facção também tem articulado respostas por meio de advogados na Justiça contra a reação enérgica da PMSC ao crime organizado. A estratégia jurídica busca questionar as operações que resultaram na neutralização de criminosos armados, numa tentativa de fragilizar a atuação policial por vias legais.
Histórico de comunicados
Não é a primeira vez que o PGC utiliza comunicados internos com repercussão pública. A organização já divulgou “salves” proibindo assaltos a guardas escolares no Vale do Itajaí, após uma onda de ataques a vigilantes de escolas e creches em Itajaí.
Em dezembro de 2025, o Primeiro Comando da Capital (PCC), principal rival do PGC, emitiu comunicado semelhante, com efeito ao inverso do que está sendo pregado agora em Santa Catarina, proibindo roubos nas periferias de São Paulo, com punição aos desobedientes.
Facção sob pressão
Fundado em 2003 na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, o PGC é a maior organização criminosa de Santa Catarina e conta com cerca de 10 mil integrantes, segundo estimativas de especialistas em segurança pública. A facção atua principalmente no tráfico de drogas, mas também organiza roubos, furtos e crimes violentos. Nos assaltos, 10% do valor é destinado à organização.
O cenário atual aponta para um momento de pressão inédita sobre a facção, com ações simultâneas da PMSC nas ruas, da Polícia Civil na inteligência e da Polícia Penal dentro do sistema prisional, o que tem reduzido a capacidade de comando e controle da organização.
Informações: Jornal Razão







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