A permanência do engenheiro Benedito Ruy Santos Cabral à frente da Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) mesmo após ter seu nome citado em uma investigação da Polícia Federal passou a ser alvo de questionamentos políticos. Somente nesta semana, cerca de seis meses depois da deflagração da Operação Igapó, a governadora Hana Ghassan (MDB) oficializou sua exoneração, publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (22). O decreto informa que a saída ocorreu “a pedido” do próprio secretário.
A decisão ocorre após a Polícia Federal incluir o nome de Ruy Cabral entre os investigados na Operação Igapó, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo agentes públicos, empresários e empresas contratadas pelo poder público. A investigação teve como base decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na decisão judicial que autorizou medidas da operação, a PF afirma existirem indícios de que o então secretário teria praticado condutas com “graves violações de deveres funcionais”, em razão do cargo estratégico ocupado na Secretaria de Obras Públicas. O documento também aponta riscos relacionados à realização de obras, licitações e ao patrimônio público, sempre no contexto da investigação em andamento.

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada teria atuado por meio de fraudes em processos licitatórios, desvio de recursos públicos, pagamento de vantagens indevidas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Entre os crimes investigados também aparecem suspeitas de compra de votos, utilização irregular de policiais militares durante campanhas eleitorais e uso de empresas de fachada.
Um dos episódios destacados pelos investigadores envolve uma movimentação financeira ocorrida em setembro de 2024. Conforme a PF, após o saque de R$ 6 milhões em espécie realizado por um empresário investigado, houve contato telefônico com Benedito Ruy Cabral. Horas depois, mensagens indicariam que valores teriam sido entregues por intermédio de uma terceira pessoa. Os fatos são objeto da investigação e ainda não houve decisão judicial definitiva sobre o caso.
De acordo com os autos, o episódio ocorreu no mesmo dia em que um consórcio integrado por empresas ligadas à investigação foi declarado habilitado em uma licitação de aproximadamente R$ 148 milhões para execução das obras da Perna Norte da Rua da Marinha, em Belém. O empreendimento foi anunciado como uma das intervenções estruturantes para a COP30, mas posteriormente acabou paralisado pelo próprio Governo do Estado e também passou a integrar o inquérito conduzido pelo STF.
Desde dezembro de 2025, quando a Operação Igapó foi deflagrada, Benedito Ruy Cabral permaneceu exercendo normalmente o comando da Secretaria de Obras Públicas, pasta responsável por administrar contratos bilionários de infraestrutura, mobilidade urbana, construção, reformas e manutenção de equipamentos públicos em todo o Pará.

A permanência do secretário durante todo esse período tem gerado críticas de opositores, que questionam por que o governo estadual optou por mantê-lo no cargo mesmo diante da existência de uma investigação de grande repercussão envolvendo a secretaria. O governo, por sua vez, não anunciou que a exoneração decorra das investigações, limitando-se a informar no decreto que a saída ocorreu “a pedido”.
Para responder interinamente pela Secretaria de Estado de Obras Públicas, foi designado Arnaldo Dopazo Antonio José, atual secretário adjunto de Infraestrutura Urbana e Construção Civil, até que seja definido o novo titular da pasta.








Comentários