Uma investigação da Polícia Federal colocou integrantes do Judiciário do Maranhão no centro de um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo propriedades rurais avaliadas em cerca de R$ 50 milhões.
A apuração faz parte da Operação Inauditus, deflagrada nesta quarta-feira (1) e autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos estados e resultou no afastamento de magistrados do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
De acordo com as investigações, uma decisão judicial que tratava de um conflito envolvendo fazendas teria sido revertida após pagamento de propina. O valor negociado, segundo delação, foi de aproximadamente R$ 250 mil, pago em duas etapas para favorecer uma das partes envolvidas no processo.
O caso envolve o desembargador Antônio Pacheco Guerreiro Júnior que teria proferido decisão favorável após a negociação. A área em disputa possui mais de 12 mil hectares e foi avaliada em cerca de R$ 50 milhões, o que explica o alto interesse na causa.

As investigações apontam ainda que o esquema não seria isolado. A Polícia Federal identificou indícios de atuação coordenada entre magistrados, assessores, advogados e empresários, com objetivo de direcionar decisões judiciais em processos de alto valor, especialmente ligados a disputas agrárias.
Entre os indícios levantados estão movimentações financeiras suspeitas, possível lavagem de dinheiro e uso de intermediários para viabilizar os pagamentos.
Além das buscas, a operação também determinou o bloqueio de bens de até R$ 50 milhões e medidas cautelares contra os investigados.
O Tribunal de Justiça do Maranhão informou, por meio de nota, que está colaborando com as investigações.










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