Um ponto de venda de açaí foi interditado nesta quinta-feira (19) em Ananindeua, durante uma fiscalização coordenada pelo Ministério Público do Estado do Pará em parceria com a Vigilância Sanitária e a Secretaria Municipal de Saúde. A ação faz parte de uma força-tarefa voltada a combater o surto de doença de Chagas que atinge o município.

O estabelecimento, localizado na Cidade Nova IV, era um dos primeiros vistoriados na operação e foi interditado por apresentar diversas irregularidades no processamento e manipulação do açaí, incluindo falta de licença sanitária, ausência de termômetro para aferição da temperatura da água usada no branqueamento e a não adoção de procedimentos básicos de higiene indispensáveis para garantir a segurança do alimento.
Durante a fiscalização, autoridades descartaram cerca de 38 litros de açaí e 13 litros de bacaba por não apresentarem condições adequadas de comercialização. A promotora Érica Almeida, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nucon), ressaltou que sem controle de temperatura e práticas adequadas de higiene, o estabelecimento colocava em risco a saúde dos consumidores.
Contexto do surto
O município enfrenta um surto de doença de Chagas associado à transmissão oral, possivelmente pelo consumo de alimentos contaminados, especialmente o açaí preparado de forma artesanal.
A doença de Chagas pode ocorrer quando o parasita causador (Trypanosoma cruzi) é ingerido por meio de alimentos ou bebidas contaminados, como pode acontecer se houver contato com fezes do inseto barbeiro em frutas ou sucos sem higiene e controle adequados.
O Ministério da Saúde já classificou o cenário em Ananindeua como surto, com dezenas de casos confirmados e múltiplas mortes registradas nas últimas semanas.
Ação de fiscalização e próximos passos
A fiscalização desta quinta faz parte de uma operação ampla que deve alcançar cerca de 20 estabelecimentos na cidade ao longo da semana, com o objetivo de reforçar boas práticas no processamento do açaí e reduzir o risco de contaminação alimentar.
O ponto de venda interditado só poderá retomar o funcionamento após regularizar sua situação junto aos órgãos competentes e adotar todas as medidas sanitárias exigidas.
Assista o vídeo completo:








Comentários