A reciclagem entrou no centro das preocupações com a Reforma Tributária. Projeções do próprio setor indicam que a carga de impostos, hoje em torno de 6,5%, pode chegar a 26,5% após a unificação dos tributos, o que ameaça a viabilidade econômica de toda a cadeia.
A avaliação é que a mudança elimina isenções e regimes especiais que garantiam uma tributação menor à atividade. Com isso, empresas responsáveis pela coleta, triagem, processamento e comercialização de materiais recicláveis devem enfrentar um aumento expressivo de custos, comprometendo investimentos, expansão e até a sobrevivência de muitos negócios.
O impacto preocupa ainda mais pelo peso social da reciclagem no país. Estimativas apontam mais de 67 mil CNPJs ligados ao setor e cerca de 1 milhão de catadores que dependem diretamente dessa atividade para garantir renda e sustento.
A lógica é simples: quando o custo sobe, o incentivo diminui. No caso da reciclagem, esse desestímulo não afeta apenas empresas, mas também cooperativas, trabalhadores informais e municípios que já enfrentam dificuldades para manter programas de coleta seletiva.
A proposta também evidencia uma contradição do governo Lula. Enquanto o discurso oficial fala em sustentabilidade, economia circular e transição verde, a prática caminha na direção oposta ao penalizar um setor que reduz resíduos, reaproveita materiais e gera renda para milhões de brasileiros.
Em vez de fortalecer quem ajuda a enfrentar um dos maiores problemas ambientais do país, o governo opta por ampliar a carga tributária e tratar a atividade produtiva como fonte inesgotável de arrecadação.
No fim, o custo tende a recair sobre toda a sociedade, com menos reciclagem, menos renda para os catadores, mais lixo nos aterros e aumento de despesas para estados e municípios.










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