O ex-prefeito de Ananindeua e pré-candidato ao governo do Pará, Daniel Santos, publicou nesta sexta-feira (10) uma foto ao lado do ex-governador Simão Jatene. Na legenda, descreveu o encontro como um momento de escuta e troca de ideias sobre modernização, desenvolvimento e infraestrutura do estado.
A movimentação chama atenção pelo histórico entre os dois.
O passado: rejeição de contas e inelegibilidade
Em 2020, Daniel Santos presidia a Assembleia Legislativa do Pará quando o parlamento rejeitou, por 34 votos a 6, as contas do então ex-governador Jatene referentes ao exercício de 2018.

A decisão apontou descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e indícios de corrupção, tornando Jatene inelegível por oito anos.
À época, o episódio foi apresentado como um gesto de rigor institucional.
O presente: reaproximação e leitura política
Seis anos depois, o mesmo Daniel Santos que presidiu a votação que puniu Jatene aparece ao lado dele em publicação nas redes sociais. Nos bastidores da política paraense, a movimentação é lida como sinal de possível apoio ao projeto de Daniel para 2026.
O contraste é evidente: o que em 2020 foi classificado como irregularidade grave surge agora reemoldurado como experiência administrativa.
A reaproximação ocorre em um momento delicado para o ex-prefeito. Em agosto de 2025, Daniel Santos foi alvo da Operação Hades, do Ministério Público do Pará, que apura fraudes em licitações na área da saúde, além de suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e coação de testemunhas. Ele chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial — medida posteriormente revertida por liminar. O processo segue em tramitação.
O episódio se insere em um ambiente político em que alianças e discursos são constantemente reavaliados às vésperas do pleito. A forma como essa reaproximação será recebida pelo eleitorado paraense tende a influenciar diretamente o cenário eleitoral.








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