Ex-dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social fecharam acordo de delação premiada e apresentaram à Polícia Federal informações que citam o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi em um esquema de fraudes envolvendo benefícios do INSS. A informação foi divulgada pela jornalista Andreza Matais no Metrópoles nesta segunda-feira (26).
Segundo o relato dos delatores, os ex-servidores detalharam à PF negociações e repasses de valores que teriam sido efetuados a políticos como parte do esquema investigado na chamada Operação Sem Desconto. O acordo de colaboração premiada foi feito pelos ex-procurador do INSS, Virgílio Oliveira Filho, e pelo ex-diretor de Benefícios André Fidelis, ambos presos desde novembro de 2025.

Repasse a políticos
De acordo com os delatores, parte dos recursos teria sido destinada a integrantes de bancadas parlamentares, incluindo aliados e membros de partidos de centro e do chamado Centrão. Os nomes foram citados ao longo das conversas com investigadores como beneficiários de repasses que teriam ligação com a suposta fraude em benefícios previdenciários.
Os colabores também citaram repasse de R$ 300 mil ao filho do presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, a partir de mensagens interceptadas que mencionariam esse valor e que, segundo a Polícia Federal, seriam indício de vínculo financeiro.
Viagens e ligações de relacionamento
O material da delação aponta ainda que Lulinha e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes teriam viajado juntos para Lisboa em novembro de 2024, com passagens de primeira classe em valores que variam entre R$ 14 mil e R$ 25 mil. A presença conjunta nos registros de embarque é apontada pelos investigadores como mais um elemento de conexão entre os envolvidos.
Suspeita de atuação em negócios
A colaboração premiada também menciona a suspeita de que Fábio Luís teria atuado como “sócio oculto” em empreendimentos ligados ao mercado de cannabis medicinal — empresas que, segundo a investigação, teriam sido financiadas com recursos supostamente desviados da Previdência Social.
Investigação em andamento
A delação e as informações prestadas agora estão sendo analisadas pela Polícia Federal e podem ampliar o escopo das apurações. A Operação Sem Desconto continua em andamento, e a investigação pode resultar em novas fases ou indiciamentos, à medida que os dados sejam confrontados com outros elementos de prova.
A defesa dos citados ainda não se manifestou sobre os pontos específicos mencionados no relatório de delação.








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