O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) acionou o Ministério Público de São Paulo contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB), questionando a forma como a organização do Carnaval de Rua de São Paulo 2026 foi terceirizada e contratada por empresas que, segundo a denúncia, teriam funcionado como “laranjas” para direcionar recursos públicos.

A representação questiona contratos milionários firmados entre a gestão municipal, por meio da Secretaria Municipal de Turismo e da empresa pública São Paulo Turismo (SPTuris), e a agência MM Quarter, que teria recebido cerca de R$ 183 milhões para planejar e executar boa parte da logística do Carnaval, incluindo produção, roteiros, estrutura e apoio ao público.
Segundo informações divulgadas por portais de notícias, a MM Quarter foi fundada em 2022 e, em pouco tempo, passou a concentrar contratos com a prefeitura sem concorrência pública, por meio de atas de registro de preços. A empresa formalmente pertence a uma mulher com endereço em um cortiço na zona norte, levantando suspeitas de que teria sido usada como “laranja” para viabilizar o direcionamento dos recursos públicos. Funcionários e ex-funcionários relataram que o efetivo operacional é superior ao que consta nos registros oficiais.
Críticas de transparência e gestão
O vereador Bonduki afirma na representação que a terceirização do Carnaval teria ocorrido de forma pouco transparente e sem justificativa adequada, o que motivou a ação junto ao MP-SP. A iniciativa ocorre em um momento em que a gestão Nunes enfrenta questionamentos sobre transparência e legalidade em contratos públicos, incluindo denúncias de favorecimento e falta de comprovação de serviços prestados.

Para críticos da gestão municipal, a contratação sem concorrência de uma empresa recém-criada e com endereço duvidoso, somada aos valores vultosos pagos, reforça a necessidade de uma investigação aprofundada. Eles argumentam que, em um momento de restrições orçamentárias, o uso de recursos públicos para eventos tradicionais como o Carnaval deve ser feito com o máximo de transparência e responsabilidade fiscal.
A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, nega irregularidades e afirma que todos os contratos seguiram a legislação vigente, ressaltando que a SPTuris possui autonomia administrativa e que a Controladoria Geral do Município foi acionada para apurar as denúncias.









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