A crise envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos após reportagem da jornalista Andreza Matais revelar encontros fora da agenda oficial entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Segundo a apuração, as reuniões teriam ocorrido na mansão do empresário, em um ambiente subterrâneo descrito como restrito, com acesso controlado, charutos e vinhos, longe de registros públicos.
De acordo com a reportagem, no primeiro semestre de 2025, Vorcaro teria convocado com urgência Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, para comparecer à residência. Ao chegar ao local, o executivo teria sido avisado de que “o homem” estava presente, numa referência atribuída ao ministro do STF. Ainda segundo o relato, nesse encontro teriam sido discutidas alternativas para uma possível operação de socorro ao Banco Master, tratada dentro da casa do próprio dono do banco.
O texto também afirma que Moraes teria acompanhado, no mesmo endereço, a apuração das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 6 de novembro de 2024, em um espaço descrito como um “bunker”. Outro ponto sensível citado é o depoimento de Vorcaro à Polícia Federal, no qual ele teria omitido o nome do ministro ao listar frequentadores da residência, mencionando apenas o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
A gravidade do episódio aumenta diante do contexto institucional. À época dos encontros, o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes mantinha um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. A combinação de reuniões reservadas, interesses financeiros cruzados e discussões estratégicas envolvendo uma instituição sob suspeita reacende o debate sobre transparência, conflito de interesses e os limites da relação entre autoridades públicas e o setor privado.








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