Nos últimos dias, uma decisão do governo federal sobre prioridades de gasto público voltou a repercutir entre internautas e nas redes sociais, gerando debate sobre saúde e cultura no Brasil.
Nesta segunda-feira (19), o governo confirmou o repasse de R$ 12 milhões para as escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. O valor, que será dividido igualmente entre as 12 agremiações (R$ 1 milhão para cada), faz parte de uma parceria entre a Embratur, o Ministério da Cultura e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), com o objetivo de reforçar a imagem do Brasil no exterior e atrair turistas durante a temporada carnavalesca.
Por outro lado, uma decisão recente da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou que o Ministério da Saúde não incorpore a vacina contra o herpes-zóster ao SUS, por considerá-la de “alto custo” diante do impacto orçamentário estimado. A decisão foi publicada em portaria no Diário Oficial da União e refere-se à vacina recombinante adjuvada, destinada principalmente a idosos com 80 anos ou mais e a pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos.
A recomendação considerou que a incorporação poderia demandar cerca de R$ 1,2 bilhão por ano nos primeiros quatro anos, chegando a um total de R$ 5,2 bilhões em cinco anos para cobrir a população elegível, o que é muito acima dos valores que o SUS considerou sustentáveis no momento.
A comparação entre os dois episódios, invariavelmente, levantou questionamentos sobre prioridades na destinação de recursos públicos. Enquanto uma parcela significativa de verba é direcionada a um evento cultural com grande projeção internacional como o Carnaval, opiniões nas redes apontam que medidas de prevenção em saúde pública, como a inclusão de imunizantes no SUS, poderiam beneficiar diretamente grupos tidos como vulneráveis.
Nas plataformas digitais, muitos usuários relataram estranhamento com a decisão de não incorporar a vacina, especialmente diante do custo relativamente baixo para quem precisa pagá-la na rede privada, onde uma dose pode variar entre R$ 800 e R$ 950, totalizando cerca de R$ 1,6 mil para o esquema completo.
Autoridades defendem, por sua vez, que avaliações de custo-efetividade e impacto orçamentário são essenciais para manter a sustentabilidade do sistema de saúde público. Já os defensores do repasse para o Carnaval destacam o papel do evento como instrumento de promoção cultural e turística em âmbito internacional.










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