Uma investigação do Ministério Público do Estado do Pará trouxe à tona um esquema suspeito de extorsão e favorecimento dentro do sistema de Justiça estadual, envolvendo ao menos um delegado da Polícia Civil, um promotor de Justiça e um juiz — com o promotor sendo apontado como peça central no suposto funcionamento da rede criminosa.
A reportagem especial exibida neste domingo pelo Fantástico, da TV Globo, acompanhou o desdobramento do inquérito que começou após um caso de atropelamento registrado por câmeras em Belém e se transformou na descoberta de um possível esquema de “justiça paralela”.
De acordo com o Ministério Público, a rede investigada atuaria desde 2021 e teria cobrado valores em dinheiro para obter decisões mais favoráveis em investigações e processos, burlando os trâmites legais. Em mensagens interceptadas pelos investigadores, os envolvidos discutiam valores e alegadamente incentivavam a cobrança de quantias, com um dos áudios atribuídos ao delegado afirmando: “quem paga mal, paga duas vezes” — frase que acabou inspirando o nome da reportagem.
O inquérito também aponta que a participação do promotor de Justiça Luiz Márcio Teixeira Cypriano teria sido essencial para dar aparência de legalidade aos pedidos e encaminhamentos, além de coordenar a divisão de valores entre os envolvidos.
Além disso, a investigação alcança o Judiciário estadual: o juiz Jackson José Sodré Ferraz está sob apuração pelo Tribunal de Justiça do Pará, por supostamente autorizar atos a pedido dos outros investigados, incluindo ações em processos como a operação “Truque de Mestre”, que apurou crimes ligados a jogos de azar.
Em um dos episódios revelados, a influenciadora Noelle Araújo relatou em entrevista que chegou a pagar R$ 500 mil, por meio de advogados, na tentativa de reverter desdobramentos negativos de sua situação processual — um dos pontos que agravou a suspeita de favorecimento e cobrança irregular.
Até o momento, alguns dos investigados foram afastados de suas funções, mas permanecem com remuneração ativa ou respondendo em liberdade. A defesa dos citados, incluindo o promotor e outros servidores, afirmou que irá se manifestar após análise dos autos. A investigação continua em andamento e pode resultar em novas medidas judiciais conforme o avanço das apurações.
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