O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nota pública informando que determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) a abertura de uma sindicância para apurar denúncias e informações veiculadas na imprensa sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida, segundo a autarquia, teve como base relatos de crises agudas enfrentadas pelo ex-chefe do Executivo, o que exige, do ponto de vista técnico, acompanhamento médico contínuo e imediato.
Leia a nota na íntegra abaixo:


De acordo com o CFM, situações clínicas como as descritas demandam um protocolo de monitoramento permanente, com assistência multidisciplinar, a fim de preservar a integridade física do paciente. A entidade ressaltou ainda que decisões médicas devem ser pautadas exclusivamente por critérios técnicos, científicos e éticos, sem qualquer tipo de interferência externa.
Na nota, o Conselho foi enfático ao afirmar que “a autonomia do médico assistente é soberana na definição da conduta terapêutica”, destacando que o ato médico possui respaldo ético e legal, além de presunção de veracidade. Para o CFM, qualquer tentativa de interferência em decisões clínicas representa afronta direta à medicina e ao exercício profissional.
A manifestação da entidade ocorre em meio a um embate institucional após o ministro Alexandre de Moraes anular a sindicância aberta pelo CFM, atitude que gerou forte reação entre profissionais da saúde. Para médicos e entidades de classe, a decisão configura um precedente preocupante, ao colocar o Judiciário em rota de colisão com a autonomia médica e com protocolos básicos de cuidado ao paciente.
O episódio também passou a ser amplamente debatido por comentaristas políticos e juristas. O advogado e comentarista político-jurídico André Marsiglia, especialista em liberdade de expressão e colunista do Poder360, tem se manifestado sobre o caso, levantando questionamentos sobre os limites do poder judicial e a separação entre decisões médicas e decisões judiciais. Para ele e outros analistas, o caso escancara um conflito institucional preocupante, no qual a autonomia médica estaria sendo relativizada por decisões judiciais.
Outros comentaristas alinhados ao campo jurídico e político também passaram a discutir o tema, apontando que a saúde de um cidadão, ainda que ex-presidente, não deveria ser tratada como objeto de disputa política ou jurídica. O debate ganhou força especialmente entre setores que veem na decisão mais um episódio de excessos de autoridade e concentração de poder.
Aliados do ex-presidente e setores da direita apontam que a postura de Moraes evidencia uma escalada de decisões que extrapolam o campo jurídico e avançam sobre áreas técnicas, como a medicina, levantando questionamentos sobre limites institucionais e garantias fundamentais, inclusive o direito à saúde.
A controvérsia amplia o debate sobre até que ponto decisões judiciais podem se sobrepor a pareceres técnicos de entidades médicas, especialmente quando envolvem a saúde de um ex-presidente da República.
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